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Dia do consumidor ganha relevância, mas ainda está longe de se consolidar

Pouco conhecida pelo brasileiro, a data ainda não soma nem 10% do total transacionado na Black Friday. A perspectiva, no entanto, é que o apelo para o cliente e varejistas cresça daqui para frente

São Paulo – Ainda pouco conhecido do brasileiro, o Dia do Consumidor (celebrado hoje) está longe de alcançar o impacto da Black Friday, que em 2016 ficou marcada por antecipar as vendas do Natal. Conforme a data se consolide e caia nas graças do comprador, no entanto, a previsão é que ela também exerça o efeito de concentrar vendas dos meses próximos. “Na medida em que a data comece a ganhar dimensão pode-se criar uma ‘bolha’, concentrando vendas que poderiam ocorrer no mês de abril ou retardando vendas do começo de março”, afirma o CEO da E-bit, Pedro Guasti. Segundo ele, essa concentração não seria para a compra de presentes – por exemplo para o Dia das Mães -, mas para ‘produtos planejados’.O diretor da consultoria GS&COMM, Pedro Padis, concorda e afirma que, historicamente, a data tem esse perfil de compras individuais. “Como ela está distante de datas sazonais, o consumidor aproveita para buscar itens para ele, sem pensar em comprar presentes”, afirma.

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Movimento

A comemoração, trazida ao Brasil em 2014 pela Buscapé Company, ainda tem uma relevância pequena no varejo e a expectativa da E-bit é que ela movimente R$ 265 milhões este ano – cerca de 10% do valor transacionado na Black Friday do ano passado. O CPO da Buscapé, Fábio Sakae, explica que o pouco impacto se dá pelo fato da data ainda ser muito nova, mas que ela vem crescendo exponencialmente nos últimos quatro anos. De acordo com ele, há inclusive a possibilidade de que, no longo prazo, ela ultrapasse o Dia das Mães em importância para as varejistas. “Acho que ela tem essa força [de ultrapassar o Dia das Mães], mas ainda é uma data muito nova”, afirma. Guasti, da E-bit, é mais conservador e afirma que apesar da perspectiva de um crescimento expressivo, o Dia do Consumidor não deve se tornar mais importante que o Dia das Mães. “Eu acredito que ele pode se consolidar como a segunda ou terceira data mais importante do primeiro semestre para o varejo, mas passar o Dia das Mães eu acho difícil”, ressalta.

 

 

Em relação a possibilidade do brasileiro usar o dia para antecipar as compras para a celebração de maio, Sakae diz que podem ocorrer movimentos pontuais, mas que não deve ser significativo. “Alguns consumidores mais planejados pode ser que façam isso, mas não deve ser relevante. Até pela distância de dois meses entre as duas datas”, afirma. De acordo com ele, para que a data promocional conquiste de fato o brasileiro e se consolide as varejistas precisam oferecer descontos expressivos e investir com mais força na divulgação. Para se ter uma ideia, segundo pesquisa da E-bit realizada em fevereiro, apenas 38% dos consumidores afirmaram ter conhecimento da celebração. Na visão de Padis, da GS&COMM, ainda não há investimentos e promoções tão expressivos porque o retorno não justifica. “Ninguém quer ficar de fora, mas ao mesmo tempo o retorno baixo não justifica um investimento em marketing e em margens tão elevado”, afirma o consultor. Ainda muito restrita ao e-commerce, a data também pode ver uma maior disseminação no varejo físico à medida que se consolide. “Se funcionar, sem dúvida o restante do varejo deve embarcar.”

 

 

 

Fonte:DCI